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Criança come coisa de criança!
Por: RaquelAcho engraçado alguns discursos sobre alimentação infantil. Gente que entope o bebê (sim, estou falando de bebês, abaixo de 1 ano inclusive) de chocolates, salgadinho, frituras, balas e até refrigerante na mamadeira e acham tudo normal, porque não quer que o filho passe vontade e que criança tem que comer coisa de criança…

Meu filho come coisa de criança… claro que é de criança da idade dele: maçã, banana, abacate, kiwi, morango, abacaxi, manga, pera, até carambola ele come…. e adora… e come arroz, feijão, brócolis, batata, mandioquinha… alias, até hoje tudo o que ofereci ele mandou pra dentro sem cara feia.

Gostaria de entender quando foi que “comida de criança” virou sinônimo de porcaria nada saudável enriquecida com ácido fólico pra compensar a falta de nutrientes que uma alimentação saudável e consciente oferece. E adoraria entender como que, em pleno século 21, ainda tem gente que acha que se a criança passar vontade vai ter LOMBRIGAS.
Fico pensando se essa mãe, que oferece refrigerante na mamadeira pro nenê não passar vontade, também vai colocar cerveja na mamadeira quando o pai estiver bebendo e o bebê ficar olhando.
Sim, sou a louca da banana! Sou a péssima mãe que não deixa o filho comer chocolate! Sou a mãe ruim e chata que não deixa o filho nem provar um brigadeiro no dia do próprio aniversário! Tem hora pra tudo e é óbvio que, em algum momento da vida dele, ele vai provar de tudo, e faço questão disso, mas não agora, não tão pequeno!
E pra quem acha que tudo isso é exagero, eu indico que assistam esse documentário:
É pra pensar, né!?
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Relato de Amamentação – Luana Tessera
Por: RaquelHora de voltar a movimentar o blog. Tanta coisa acontecendo e eu privando vocês de tantas informações bacanas. Então pra retomar em grande estilo, um belissimo relato de amamentação pra vocês.
Relato de amamentação – por Luana Tessera
Finalmente, chegou o momento em que decido sentar e relatar o período de 6 meses de amamentação exclusiva para mim e para a minha neném. “Finalmente” porque me recordo de, há quase meio ano atrás, imaginar esse momento como uma vitória e vizualizá-lo para ter forças para seguir adiante e não me deixar incapacitar.
-A maratona antes do prêmio-

Nunca tive o sonho de ser mãe e, talvez, isso tenha me dado as incertezas necessárias para ir atrás do conhecimento que eu precisava para chegar até aqui. Li muito durante a minha gestação toda. Minha filha Olívia, nasceu fruto de um lindo parto natural Leboyer regado de ocitosina, silêncio e respeito. Um “típico parto cheio de riponguices” como brincam alguns amigos. Mas o evento mais marcante da minha vida, foi também, uma das maiores vitórias e atos de coragem da minha vida.
Com um sistema obstétrico falho, fui por inúmeros médicos tentada a crer que não seria capaz de parir naturalmente minha bebê. Que não tinha saúde para tal, que não teria dilatação ou força de vontade e que eles precisariam me abrir de uma maneira ou de outra para arrancar minha bebê de mim. Nada disso me fez desistir! Eu sabia em meu coração, desde o segundo tracinho rosa naquele teste de farmácia, que eu tentaria até o fim apresentar o mundo para a minha filha na forma que eu julgasse a mais bela possível.
Depois de uma longa jornada de conhecimento e empoderamento e após 5 míseras horas de trabalho de parto coordenado e planejado, minha bebê veio ao mundo.
Tão logo nasceu e foi colocada em meu peito para mamar. Tudo muito rápido, sem tempo pra limpar o neném, sem erguê-lo, sem medir isso ou aquilo.
Assim que senti aquele misto de alívio e prazer (sim! o que dói são as contrações, parir é um prazer incomparável), também senti o calorzinho daquele ser no meu peito e enquanto abria os olhos e tentava voltar do êxtase da partolândia ela já mamava avidamente.
Lembro do cordão pulsando em minha barriga, do papai chorando sem parar e daqueles anjos que nos auxiliaram e seguraram minha mão nessa jornada.
Depois que Olívia resolveu respirar sozinha, rápidos procedimentos foram realizados, como cortar o cordão, limpar o rostinho do bebê e medir o Apgar. Em pouco tempo, fomos levadas para outro quarto. Nessa primeira noite, era crucial que mamãe e bebê passassem juntos e papai foi recomendado (a contragosto) pela maternidade a voltar pela manhã (eram em torno de 2 horas da madrugada).
- Do colostro, ao leite-

O quarto estava quentinho e deixei ela peladinha colada ao meu peito. Lembro de cobrir as costas dela com uma fraldinha e deixá-la por dentro do casaco que eu vestia. Passei a noite em claro, andava de um lado para o outro do quarto ninando, cantando, cheirando e beijando ela.
No dia seguinte mais uma ou duas mamadas e ela voltou a dormir. Com a presença do pai, eu pude descansar e achei que estava tudo sob controle.
Nossa segunda noite, no entanto, foi um desastre. Lá pelas 22 horas a danadinha começou a chorar e eu não sabia o que fazer para acalmá-la. Chamei a enfermeira e ela calmamente, disse:
- Dá o peito mamãe, peito cura tudo.
- Mas ela não está com fome, mamou a pouco e eu tento dar e ela rejeita. – respondi.
- Como você sabe se ela tem fome ou não? Vai por mim, dá o peito.- retrucou a enfermeira sem dar muita consideração para a minha aflição.
Eu fiquei ali, embalando, cantando, me desesperando e aquele pedacinho de gente chorando sem parar. Eu tentava colocar ela no peito, mas ela chorava muito, com aquele bocão aberto e nem prestava atenção no meu seio.
Passadas quase uma hora assim, saí do quarto e fui atrás de ajuda. Continuavam com a mesma afirmação: “dá o peito, ela quer mamar”. Resolvi dizer que não sabia como, afinal, eu não tinha leite e ela não mostrava nenhum interesse.
Pedi para darem complemento a ela se ela tinha fome. As enfermeiras negaram (viram? Tive mais sorte que juízo), falaram que eu precisava incentivar minha neném a sugar, sugar e sugar para que meu corpo gerasse leite. Que eu confiasse e respeitasse o tempo do meu corpo, pois eu iria alimentar minha filha.
Foi uma noite péssima. De frustração e desespero. Meu seio doía muito, a neném chorava muito fora dele. Passados os primeiros reflexos de sucção pós parto, ficou claro que ela também não sabia mamar (coisa muito natural, mas que nenhum obstetra nos prepara), por essa razão, eu tinha que segurar a cabeça dela e ofertar muito o seio, pois ela mamava por poucos minutos e já começava a chorar, sem atinar a continuar mamando.
Isso pode parecer óbvio, mas imagine uma mãe de primeira viagem em pouco mais de 24 horas de parto que acabou de amamentar o neném, se dar conta que em menos de 5 minutos teria que amamentá-la de novo? Pois tem! Uma, duas, cinco, vinte vezes se for preciso. É isso o que quer dizer Livre Demanda: alimentar o bebê no tempo dele, não no seu.
Só liberaram meio copinho de leite às 6 horas da manhã para que a neném dormisse e eu pudesse descansar com a chegada do papai.
Alguns podem dizer (e disseram) que isso é um absurdo, deixar a criança em claro, sugando um seio sem leite, uma mãe sem dormir tentando frustradamente amamentar. Que devíamos ter oferecido mamadeira com NAN, chupeta e seja o que lá mais que se dá para substituir o papel da mãe nessas horas. A verdade, é que aquelas primeiras mamadas cheias de colostro, aquele vínculo fortalecido por nunca terem tirado minha filha de meus braços e o apoio da equipe da maternidade foram cruciais para que eu tivesse chegado até aqui.
Foi preciso que me segurassem nos ombros, olhassem nos olhos e dissessem: “você tem que ter paciência, pois você vai conseguir, sua filha precisa de você!” para que eu tivesse forças físicas e psicológicas para alimentar naturalmente a minha neném.
Na terceira manhã, acordei com a blusa molhada de leite e em seguida tivemos alta.
Graças a essa maravilhosa equipe, minha filha já saiu de lá mamando muito. Não de tantas em tantas horas, não apenas quando eu achava que ela tinha fome. Mamava o tempo todo!
- De gestante a nutriz-

Já em casa, era hora de pôr o aprendizado em prática. Neném acordado, era neném no peito. Assim se seguiram as primeiras semanas, mas não com tanta facilidade.
Eu que não era boba nem nada, segui o conselho de outras mamães e comecei a participar de um grupo voluntário de apoio a amamentação. Lá, fui incentivada a ficar atenta à pega correta, a tomar muito banho de sol e a não utilizar qualquer pomada ou anestésico de composição química.
Lembro que a dor era angustiante! Não cheguei a sofrer feridas ou infecções como outras mães, mas certamente tinha a pele bem sensível e isso atrapalhava muito a “beleza” do ato. Lembro de me perguntar como podiam, as mães dizerem que é lindo amamentar, que é um elo maravilhoso e incomparável, quando na verdade eu só achava que era um ato mecânico e dolorido. Eu amamentava porque tinha que amamentar, porque acreditava que era o correto a fazer e tinha esperanças de que a dor ia passar.
Pois bem: ela passa! A dor vai diminuindo após as primeiras semanas, até deixar de existir por completo. Não desista!
- Estimulação é a chave -

Também no grupo de amamentação fui encorajada a procurar o Banco de Leite da minha cidade. Foi uma das decisões mais acertadas que já tomei.
Semanalmente eu recebia a visita de uma técnica de saúde que, com muito carinho e atenção, respondia as dúvidas que iam surgindo com relação à amamentação e trazia material esterelizado para eu retirar leite para doação.
Esqueça compressas de chá de sei lá o quê, suco de coisa qualquer. Pra ter leite tem que ter sucção. Quanto mais leite você tirar, mais estimulará as mamas e mais leite irá produzir.
Não posso dizer que essa seja uma verdade absoluta, mas posso relatar que essa orientação simples, foi completamente coerente com a realidade. Além de ter uma produção excedente, eu ainda me sentia feliz em promover uma nutrição sadia aos nenéns prematuros e ajudar mamães aflitas nesse início conturbado.
- Extrair é preciso-
Ninguém me contou, mas é importante estar atenta aos picos de crescimento de seu neném. Não tem dias em que eles estão mais “manhosos e grudentos”, tem dias em que crescem mais que os outros. Nesses dias, eles tendem a necessitar de mais alimento e por isso mamam mais. Mamam o dia todo se você permitir (Permita! Afinal de contas você está de licença pra quê?). Porém, passado esse pico, eles mamam bem menos e você fica com esse excedente de produção estimulada nos dias anteriores.
O peito fica muito cheio, duro, e o calor nessa região é insuportável. A gente esquenta tanto que tem até febre! Algumas mamães sofrem constantemente com isso. Como eu retirava fielmente meu excedente só passei por esse episódio uma vez (e foi o suficiente para não querer tamanho desconforto novamente).
-Água é essencial -
Como mencionei antes, o primeiro mês foi meio “mecânico” pra mim. A privação de sono, os afazeres da casa e o tumulto da mudança de rotina, visitas e baby blues tomavam todo o meu tempo e bom humor. Eu me preocupei muito com a alimentação, mas deixei de lado a necessidade de tomar muito líquido.
Estimular o aumento de produção (doando 500 ml por semana, em média) sem beber água me custou uma desidratação séria e várias idas ao proctologista. Por isso, se você amamenta, beba, no mínimo 2 litros de água por dia.
Passei a deixar duas garrafas de 1 litro na geladeira para ter certeza de beber, no mínimo, essa quantidade diariamente.
- Passada a turbulência, muitos colchões molhados -
Após o segundo mês de amamentação não tivemos mais grandes problemas. A livre demanda continuava, a extração com bombinha diária também e não havia mais dor.
Comecei a gostar daquela rotina e a perceber que lindo vínculo havíamos formado. Fui apreciando, cada dia mais, ver minha neném crescer e interagir comigo, gordinha e sorridente apenas com leite materno.
Passei a aprender, na prática, coisas curiosas a respeito da amamentação: É muito comum que o peito comece a pingar a qualquer momento, sem o bebê ter mamado. Ou que ele, magicamente, comece a encher e vazar minutos antes do seu bebê querer mamar. Com o tempo, fui acostumando a acordar em uma poça de leite no colchão e a ter a blusa molhada quando menos espero.
Também é interessante notar que produzimos uma vasta gama de leites, do mais desnatado ao cremoso e que o bebê reage a eles e sabe direitinho qual gostaria de tomar. Descobri que amamentar é uma forma de carinho, serve para qualquer momento e vai muito além da alimentação. Nem sempre tenha vontade de fazê-lo, mas faz porque o ama e sente em seu coração que é o correto.
Notei que é preciso estrutura psicológica para lidar com as frustrações alheias, pois no meio de muito papo sem fundamento também haverá algumas anceãs que, independentemente do seu desfecho nessa fase, irão te apoiar e dar dicas positivas e preciosíssimas.
- Conclusões finais -

Amamentar tem feito parte da minha rotina diária há mais de meio ano. Amamento em qualquer lugar, a qualquer hora e por quanto tempo for. Não durmo uma noite inteira desde que minha filha nasceu e tenho muito orgulho disso, pois não me incomoda o fato de ser insubstituível. É um sentimento único e uma oportunidade rara (se não a única) na vida e que não dura pra sempre. Tem sido uma maratona exaustiva, mas compensadora. Tenho uma neném saudável, sorridente e que espelha afeto. Ela está aceitando a alimentação sólida super bem e no seu ritmo, o que me deixa muito feliz.
Agora, muito próximo do seu oitavo mês de vida, me sinto a vitoriosa que tanto imaginava. Cumpri a minha meta de livre demanda exclusiva no primeiro semestre de vida da minha filha e estamos caminhando para o desmame natural. Pode ser semana que vem, daqui a 1 ano ou mais, não tenho e nem quero precisar. A natureza é mais sábia e eu e minha filha iremos chegar lá com a mesma naturalidade e companheirismo que chegamos até aqui.
Nunca tive o sonho de ser mãe, mas a maternidade tem me mostrado que eu simplesmente não sabia sonhar tão alto.
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Quer mandar o seu relato? Envie para raquel@gravidinha.com.br e terei o maior prazer do mundo em publicar =D
jan
Oppa, Pocoyo Style!
Por: RaquelOlha que coisa mais fofa do mundo!
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Violência Obstétrica: A voz das brasileiras.
Por: RaquelDia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres
Hoje em dia muito se ouve sobre a violência doméstica, violência contra a mulher, violência contra crianças, e todos os dias vemos campanhas de conscientização e pessoas lutando contra isso.
Mas não nos atentamos para uma realidade terrível em nosso país: Uma em cada quatro mulheres sofre violência no parto. Mulheres que são maltratadas, mulheres que tem seu parto roubado, médicos que se aproveitam da fragilidade da mulher no período de gestação para empurrar uma cirurgia totalmente desnecessária, bebês que são retirados antes da hora e sofrem todo o tipo de procedimentos invasivos e desnecessários. E tudo isso é simplesmente ROTINA.
Isso tem que ter um fim!
A saúde no Brasil está uma vergonha, e mais vergonhoso ainda é tudo isso ser tratado como normal.
E para combater a violência obstétrica um grupo de mulheres, ativistas pela humanização da assistência ao parto, usuárias, profissionais de saúde e pesquisadoras da saúde pública, se uniram para tirar toda a sujeira de baixo do tapete e mostrar o que realmente acontece dentro dos hospitais, públicos e particulares.
No final da minha gestação fui levada a acreditar que não poderia esperar meu trabalho de parto. Sem apoio nenhum e super fragilizada pelo final da gravidez, além do medo de que alguma coisa acontecesse ao meu bebê aceitei agendar a cirurgia. Meu bebê nasceu muito saudável, graças a Deus, mas muito pequenininho, eu estava anestesiada da cintura para baixo, por conta da cirurgia, e com os dois braços amarrados na mesa de cirurgia com uma cinta de velcro. Não pude tocar no meu bebê quando ele nasceu. Me mostraram e levaram ele de mim e fiquei mais de 3 horas sem nem saber se ele estava bem ou não, e depois disso 15 longos dias de muita dor na recuperação de uma cirurgia desnecessária e com um bebêzinho totalmente dependente de mim pra cuidar.
“O parto é da mulher”
O que eu tinha sonhado pra mim? Entrar em trabalho de parto, ter meu filho de parto normal, pega-lo imediatamente em meu colo, amamentá-lo nos primeiros minutos de vida… mas não. Não senti minha gravidez chegar ao fim, é como se num dia eu estivesse gravida e no dia seguinte, puff, tenho um nenê no meu colo e nem sei direito como ele veio parar aqui.
Um dia ainda pretendo escrever um relato contando detalhadamente o dia do nascimento do meu filho, mas hoje ainda não me sinto preparada emocionalmente pra isso. Confesso que ainda me dói o meu não parto e ainda choro quando lembro que nada aconteceu conforme eu desejei.
É por isso que hoje eu visto a camisa e entro junto nessa luta contra a cesarea eletiva e contra a violência obstétrica.
As mulheres que falam que tem medo da dor do parto na verdade tem medo da violência que grande parte sofre nos hospitais. Essas mulheres não são informadas dos riscos e da recuperação da cirurgia.
Se você sofreu alguma violência durante seu trabalho de parto e/ou parto, compartilhe sua história, ajude-nos a mudar essa realidade. Isso também é violência contra a mulher e tem que ser combatido.
Deixe um comentário aqui mesmo neste post, ou comente aqui.
out
Amamentar: Uma escolha baseada na VONTADE
Por: RaquelAcabo de ler um texto incrível e não poderia deixar de compartilhar com vocês.
"A amamentação não pode ser sinônimo de dor, não deve. Não é uma escolha baseada na vontade de ser mártir da amamentação do seu filho. Ela deveria ser pautada na vontade intrínseca plenamente consciente de que o ato de amamentar é a melhor escolha e a única forma do seu bebê receber um alimento totalmente único e insubstituível e junto com ele, receber todo o cuidado, carinho, afeto e amor em sua primeira relação humana.
Amamentar não é fácil, dói, gera desespero, pois a nossa mama extremamente sensível ao toque trava uma verdadeira batalha contra a boquinha ainda não treinada do bebê. E até que ela se torne um prazer de fato, muitos e muitos episódios serão sentidos na pele por você. A dor é um mecanismo de alerta, que sinaliza que ainda não está bom e que pode melhorar.
Interessante que, em nossa sociedade, muitas vezes o grau de sacrifício dado à amamentação torna-se quase insuportável até de ouvir. Parece que o ato do aleitamento prolongado já é demais, e que a mãe não pode se sacrificar tanto assim… E fico pensando no quanto nos sacrificamos para suportar um bom relacionamento no trabalho, suportar horas intermináveis no trânsito, suportar cobranças por metas, suportar… suportar… suportar, mas no nosso inconsciente emocional não podemos suportar um aleitamento prolongado ou dedicar tempo ao nosso bebê, pois isso seria já um conceito totalmente alienado. Podemos suportar muitas coisas, mas somos tolhidas de dedicar um tempo crucial e precioso que é amamentação no primeiro momento da vida de nossos bebês.
Quando a escolha da amamentação for baseada na nossa vontade, ela será plena e extremamente prazerosa. Temos também o direito de decidir pelas nossas vontades e para que estas vontades sejam de fato reais e significativas, elas estão dentro de um sistema complexo de escolhas. Boas escolhas. Escolhemos em algum momento da vida a nossa carreira, com quem iremos casar, aonde iremos viver, no que iremos trabalhar, quantos filhos iremos ter e cada uma dessas escolhas demandam tempo, planejamento e dedicação. Assim também deveria ser a amamentação: eu escolho um momento na minha vida para amamentar o meu bebê como ele deve ser realmente amamentado.
Uma escolha baseada principalmente em uma doação genuína, pura, e livre de cobranças. Amamento porque assim desejo, porque escolhi e não por uma recompensa futura do meu bebê, da minha família ou da sociedade. Faço neste momento porque é o melhor a ser feito e essa responsabilidade a mim pertence. Quando mães conscientes de todas as interfaces que envolvem a amamentação, instruídas e amparadas por auxílio profissional, forem de fato encarar o desafio de amamentar e nutrir uma vida humana, todo esse negativismo ao redor da amamentação irá desaparecer.
Precisamos ouvir a nós mesmas primeiramente, sabe o que o nosso corpo quer nos dizer. Depois, precisamos ouvir nossos bebês, em uma sintonia tão profunda e íntima que ao sinal do primeiro choro, ao invés de darmos lugar para o desespero, a angústia e a culpa, sabermos compreender prontamente a sua queixa.
Não tenho dúvidas que é também a vontade do bebê apenas amamentar no seio de sua mãe. E de fato, quando ambas as vontades estiverem niveladas e em um nível satisfatório de harmonia, ela será plena e livre de qualquer sobra de dúvidas deste momento único e tão especial da nossa vida materna.
Amamentar exige também de nós abstrairmos de todo o nosso entorno e de termos um olhar apenas para esta relação: você e o seu bebê."
Por Simone de Carvalho
Passei por muitas dificuldades, chorei muito, me desesperei quando uma pediatra maluca disse que meu leite não era suficiente e que eu teria que desmamar meu filho aos 5 meses, mas consegui colocar a cabeça no lugar, procurei ajuda (inclusive da Simone, autora do texto) e estou aqui, amamentando e há 2 meses que passei a ser DOADORA.
Estou feliz da vida, há 8 meses amamentando meu bebê em livre demanda, e pretendo continuar por mais um bom tempo.
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Você conhece a doença do beijo salgado?
Por: RaquelA Fibrose Cística é uma doença genética que dificulta o funcionamento dos aparelhos respiratórios e digestivos, e é conhecida como a doença do beijo salgado.
E então você pergunta: Mas por que doença do beijo salgado?
Acontece que nas glândulas sudoríparas das pessoas com Fibrose Cística, ocorre eliminação de suor, com uma quantidade extremamente alta de sódio, cloro e potássio. E o suor excessivo é um sintoma clássico de Fibrose Cística. Na maioria das vezes, pais ou avós são os primeiros a perceber o sinal. Quando a criança é beijada, há sensação de sabor salgado na boca.
A doença atinge pessoas de todas as raças, mas, principalmente, indivíduos de cor clara.
Quer entender mais sobre a doença, tratamentos e sintomas e participar ativamente da divulgação para a conscientização? Então acesse www.beijosalgado.com.br e divulgue para os seus amigos e pessoas próximas.
ago
Entendendo melhor a criação com apego
Por: RaquelSou adepta sim da criação com apego. Fernando passa boa parte do dia grudadinho em mim, dentro do sling, mama em livre demanda e pretendo continuar amamentando por muito tempo ainda. E o que não falta pra ele é colo, carinho, cheirinho e muita conversa. Sim, converso com ele o tempo todo. E é uma delícia.
Mas por algum motivo estranho a criação com apego, na qual faz parte a amamentação prolongada, muito colo, cama compartilhada, dentre outras práticas, são vistas por alguns com maus olhos. Por que será?
jun
Gente, estou sim insistindo no assunto por que acredito que sem informação não temos como nos defender. Então vamos nos informar juntas.
Segue uma relação, feita pela obstetra Melania Amorin, do que é indicação real de cesárea e o que é papo furado de médico só pra liberar a agenda dele e contribuir para a linha de produção de bebês.
Algumas indicações de cesariana
REAIS
1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;
2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;
3) Placenta prévia completa (total ou centro-parcial);
4) Apresentação córmica (situação transversa);
5) Ruptura de vasa praevia;
6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto.
PODEM ACONTECER, PORÉM FREQUENTEMENTE SÃO DIAGNOSTICADAS DE FORMA EQUIVOCADA
1) Desproporção cefalopélvica (o diagnóstico só é possível intraparto, através de partograma e não pode ser antecipado durante a gravidez);
2) Sofrimento fetal agudo (o termo mais correto atualmente é "freqüência cardíaca fetal não-tranqüilizadora", exatamente para evitar diagnósticos equivocados baseados tão-somente em padrões anômalos de freqüência cardíaca fetal);
3) Parada de progressão que não resolve com as medidas habituais (correção da hipoatividade uterina, amniotomia), ultrapassando a linha de ação do partograma. Pode ocorrer parada secundária da dilatação ou parada secundária da descida.
SITUAÇÕES ESPECIAIS EM QUE A CONDUTA DEVE SER INDIVIDUALIZADA, CONSIDERANDO-SE AS PECULIARIDADES DE CADA CASO E AS EXPECTATIVAS DA GESTANTE, APÓS INFORMAÇÃO:
1) Apresentação pélvica;
2) Duas ou mais cesáreas anteriores (o risco potencial de uma ruptura uterina – em torno de 1% – deve ser pesado contra os riscos de se repetir a cesariana, que variam desde lesão vesical até hemorragia, infecção e maior chance de histerectomia);
2) HIV-AIDS (cesariana eletiva indicada se HIV + com contagem de CD4 baixa ou desconhecida e/ou carga viral acima de 1.000 cópias ou desconhecida); em franco trabalho de parto e na presença de ruptura de membranas, individualizar casos.
Algumas desculpas frequentemente utilizadas pelos profissionais para realizar uma DESNEcesárea.
1. Circular de cordão, uma, duas ou três “voltas” (campeoníssima – essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso)
2. Pressão alta
3. Pressão baixa
4. Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto
5. Diagnóstico de desproporção cefalopélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto
6. Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe)
7. “Passou do tempo” (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas)
8. Trabalho de parto prematuro
9. Grumos no líquido amniótico
10. Hemorroidas
11. HPV (só há indicação de cesárea se há grandes condilomas obstruindo o canal de parto)
12. Placenta grau III
13. Qualquer grau de placenta
14. Incisura nas artérias uterinas (aliás, pra que doppler em uma gravidez normal?)
15. Aceleração dos batimentos fetais
16. Cálculo renal
17. Dorso à direita
18. Baixa estatura materna
19. Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
20. Obesidade materna
21. Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)
22. Bebê “grande demais” (macrossomia fetal só é diagnosticada se o peso é maior ou igual que 4kg e não indica cesariana, salvo nos casos de diabetes materno com estimativa de peso fetal maior que 4,5kg. Não se justifica ultrassonografia a termo em gestantes de baixo risco para avaliação do peso fetal).
23. Bebê “pequeno demais”
24. Cesárea anterior
25. Plaquetas baixas
26. Chlamydia, ureaplasma e mycoplasma
27. Problemas oftalmológicos, incluindo miopia, grande miopia e descolamento da retina
28. Edema de membros inferiores/edema generalizado
29. “Falta de dilatação” antes do trabalho de parto
30. Inseminação artificial, FIV, qualquer procedimento de fertilização assistida (pela ideia de que bebês “superdesejados” teriam melhor prognóstico com a cesárea) – motivo pelo qual os bebês de proveta aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal
31. Gravidez não desejada
32. Idade materna “avançada” (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos)
33. Adolescência
34. Prolapso de valva mitral
35. Cardiopatia (o melhor parto para a maioria das cardiopatas é o vaginal)
36. Diabetes mellitus clínico ou gestacional
37. Bacia “muito estreita”
38. Mioma uterino (exceto se funcionar como tumor prévio)
39. Parto “prolongado” ou período expulsivo “prolongado” (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra). O diagnóstico deve se apoiar no partograma. O próprio ACOG só reconhece período expulsivo prolongado mais de duas horas em primíparas e uma hora em multíparas sem analgesia ou mais de três horas em primíparas e duas horas em multíparas com analgesia. Na curva de Zhang o percentil 95 é de 3,6 horas para primíparas e 2,8 horas para multíparas)
40. “Pouco líquido”no exame ultrassonográfico sem indicação no final da gravidez
41. Artéria umbilical única
42. Ameaça de chuva/temporal na cidade
43. Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência urbana
44. Fratura de cóccix em algum momento da vida
45. Conização prévia do colo uterino
46. Eletrocauterização prévia do colo uterino
47. Varizes na vulva e/ou vagina
48. Constipação (prisão de ventre)
49. Excesso de líquido amniótico
50. Anemia falciforme
51. Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas (incluindo aniversário do obstetra)
52. Trombofilias
53. História de trombose venosa profunda
54. Bebê profundamente encaixado
55. Bebê não encaixado antes do início do trabalho de parto
56. Endometriose em qualquer grau e localização
57. Prévia exérese de pólipos intestinais por colonoscopia
58. Insuficiência istmocervical (paradoxalmente, mulheres que têm partos muito fáceis são submetidas a cesarianas eletivas com 37 semanas SEM retirada dos pontos da circlagem)
59. Estreptococo do Grupo B (EGB) no rastreamento com cultura anovaginal entre 35-37 semanas
60. Infecção urinária
61. Anencefalia
62. Qualquer malformação fetal incompatível com a vida
63. Síndrome de Down e qualquer outra cromossomopatia
64. Malformação cardíaca fetal
65. Escoliose
66. Fibromialgia
67. Laparotomia prévia
68. Abdominoplastia prévia
69. Ser bailarina
70. Praticar musculação ou ser atleta
71. Sedentarismo
72. Miscigenação racial (pelo “elevado risco” de desproporção céfalo-pélvica)
73. Uso de heparina de baixo peso molecular ou de heparina não fracionada
74. Datas significativas como 11/11/11 ou 12/12/12 (ainda bem que a partir de 2013 precisaremos esperar o próximo século)
75. História de cesárea na família
76. Feto com “unhas compridas”
77. Suspeita ecográfica de mecônio no líquido amniótico
78. Hepatite B e hepatite C
79. Anemia ferropriva
80. Neoplasia intraepitelial cervical (NIC)
81. Tabagismo
82. Varizes uterinas
83. Feto morto
84. Cirurgia gastrointestinal prévia
85. Qualquer procedimento cirúrgico durante a gravidez
85.Colostomia
86. Gestação gemelar com os dois conceptos em apresentação cefálica
87. História de depressão pós-parto
88. Uso de antidepressivos ou antipsicóticos
89. Hipotireoidismo
90. Hipertireoidismo
91. História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior
92. Colestase gravídica
93. Espondilite anquilosante
94. História de câncer de mama ou câncer de mama na gravidez
95. Hiperprolactinemia
96. Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)
97. Não há vagas nos hospitais da cidade para partos normais
98. Septo uterino/cirurgia prévia para ressecção de septo por via histeroscópica
Você achou tudo isso um exagero? Que não é bem por aí e que se os médicos falam que é necessária a cirurgia, então dê só uma olhadinha nas taxas de cesárea nos principais hospitais de São Paulo:
A OMS recomenda: um país "saudável" tem, no máximo, 15% de cirurgias desse tipo.
Está na hora de mudar essa realidade!
