Todos os dias somos bombardeados com imagens de bundas e peitos na TV. Corpos semi-nus são exibidos em programas no meio da tarde de domingo. Corpos completamente nus são exibidos em uma programação de quatro dias seguidos durante o carnaval.

É bonito, é sexy, é provocante… é para o homem!!!

Mas com uma grande frequência vemos notícias como essa:

E comentários como esse:

Parir é feio, envolve vagina, mulher de quatro, rebolando, gemendo, gritando. Dizem até que é nojeto e aconselham: “Você quer parto normal? Não deixa seu marido acompanhar não, viu, porque depois ele não vai querer sexo com você”.

Amamentar em publico é feio, é coisa de quem não tem vergonha, que quer se expor, faz isso só pra chamar a atenção, mostrar os peitos e seduzir. Amamentar “criança grande”, que já anda então, horrível, nojento, coisa de criança sem-vergonha. Sempre tem alguém pra olhar feio ou pra te oferecer um paninho para cobrir o peito (e consequentemente a cabeça da criança).

Parir é feio porque vai acabar com o interesse do homem pelo corpo e amamentar em público é feio porque vai despertar interesse no homem pelo seio da mulher.

APENAS PAREM!

Enquanto o corpo da mulher for considerado propriedade exclusiva do homem, nada vai mudar no que diz respeito a parto e amamentação.

O corpo da mulher não existe única e exclusivamente para ser objeto de desejo do homem. O parto normal não deixa a mulher “larga” e a amamentação não faz o peito da mulher cair. E mesmo que fizesse, não somos meros objetos de desejo do homem.

Antes de sermos mulheres, sedutoras… somos fêmeas, fortes e empoderadas, parimos e alimentamos nossa cria. E não tem nada mais belo que isso.

Mulher que pensa que isso tudo é feio, hora de pensar um pouco no que gera tamanha insegurança em achar que tudo que ela faz deve agradar exclusivamente ao homem…
E se tem homem que pensa que tudo isso é feio… bom, é apenas o que separa os homens dos meninos!


Apenas leiam!

Você mulher, mãe, que teve uma cesariana (necessária ou não) quando teve seu(s) bebê(s), antes de mais nada queria lembrar que nós sabemos que você é uma mãe maravilhosa, competente, amorosa e tão boa quanto qualquer outra mãe boa.

A via de parto não nos faz mais ou menos mães, mais ou menos mulheres, mais ou menos seres humanos. Eu tive uma cesariana há 15 anos, um parto normal há 12 anos, e me considero uma mãe boa o suficiente para ambos. E não amo um mais que outro. Mas minha amiga, quando você ler uma mulher dizendo “O parto normal me fez mais mulher” ela não está dizendo que a tua cesárea te faz “menos mulher”. Ela quer dizer que o parto fez ela se sentir mais mulher do que ela se sentia antes, ou de que ela se sentia se ela tivesse feito uma cesariana.

Ela não está criticando você ou as suas escolhas. Ela está comemorando suas próprias conquistas, só isso!Quando ela diz “quando eu dei à luz, eu me senti muito mulher, muito feminina, muito poderosa” ela não está dizendo que a gente, por ter feito cesariana, é menos mulher, menos feminina, menos poderosa. Ela está falando só dela, não da gente, entendeu? Concordo que se ela entrar em qualquer terreno seu, e se dirigir a você como uma pessoa inferior, daí não tem jeito mesmo, a pessoa está sendo estúpida. Mas em geral não é isso que a gente vê.

Eu não costumo ver mulheres “cesareadas” como nós, sendo acusadas de sermos mães de pior qualidade. A cesariana no Brasil já é uma realidade, eu e você fazemos parte da maioria esmagadora! Ela, a sua amiga que quis e/ou teve um parto bacana, ela é pequena minoria e apenas está feliz por ter conseguido atingir seu sonho. Todos esses movimentos que a mulherada está fazendo pelo direito ao parto natural, direito ao parto em casa, não dizem respeito a você e às suas escolhas. Elas dizem respeito a elas! Em nenhum cartaz ou fala você verá escrito “Proíbam as cesarianas, proíbam as escolhas pelas cesarianas, proíbam as mulheres de optarem pelas cesarianas, não queremos mais cesáreas que salvem vidas“. Essas mulheres querem que todas as mulheres tenham a chance de experimentar o que elas viveram, caso elas assim o desejem.

Nunca ninguém desejou que o parto normal, ou natural, ou domiciliar, venha a ser algo obrigatório. Por outro lado, uma coisa é certa: quando essas mulheres “xiitas” veem um relato de cesariana onde a mãe disse que fez a cirurgia salvadora porque tinha pouco líquido, ou cordão no pescoço, ou pé na costela, elas comentam mesmo, elas falam que isso não é indicação de cesariana. Você também chiaria se alguém fosse fazer uma cirurgia de varizes preventiva porque um dia vai que aparece uma variz, então é melhor operar. Cirurgias desnecessárias são uma questão importante em termos de saúde pública. Só que, amiga, entenda, ela não está dizendo que você é uma mãe inferior! Ela está dizendo que seu médico fez uma cirurgia que não era necessária, só isso.

Em nenhum momento ela está te julgando incompetente por ter aceitado a cirurgia proposta pelo seu médico, ainda mais com essa ameaça de que o bebê vai morrer ou sofrer. Em outras palavras, ela apenas está dizendo que sua cesariana não teria sido feita em nenhum país onde a saúde é levada a sério. Só no Brasil se opera com essas desculpas, e daí chegamos nos 94% do Hospital Santa Joana, por exemplo. A questão é de população, não de você. Via de parto é apenas isso: via de parto. Não diz nada de qualidade de maternagem.

Suas amigas “xiitas do parto natural” sabem que você é uma boa mãe. Também sabem que o parto normal não garante uma boa mãe (e vice versa). Não se ofenda quando você ler um post no perfil da sua amiga dizendo: “Eu quero ter direito à escolha“. Ela está falando apenas dela, e não de você. Quando você se sentir enraivecida com essas notícias, posts, relatos e matérias sobre parto normal, natural etc., olhe para dentro de você e tente entender porque é que você ficou tão brava, tão chateada, tão mexida. Eu já fiz esse exercício diversas vezes e descobri coisas incríveis. Não perca essa oportunidade.

Palavra de Parteira! * Ana Cristina Duarte é obstetriz, ativista do movimento de Humanização do Parto e mãe de Julia e Henrique.


Canso de ouvir pessoas dizendo ser contra o parto humanizado, que essa bobagem de parto humanizado é frescura, e mais um monte de declarações absurdas sobre o assunto…

Então vamos tentar esclarecer algumas coisas:

Uma coisa é um parto em casa, desassistido, sem a presença de nenhum profissional da saúde, sem médico, sem obstetriz, sem parteira que entende dos paranauê, ninguém, só o casal e a cria que vai sair….

 

Outra coisa é o parto HUMANIZADO, onde a mulher é a protagonista do parto, tratada com respeito, podendo escolher ONDE (hospital, casa de parto, a própria casa, a casa da vizinha, embaixo de uma árvore) e COM QUEM ela quer parir…

 Imagem de: Marilia Mercer

No parto humanizado PODE ter respeito, pode ter carinho, pode ter apoio, a mulher pode comer se sentir vontade, dormir se sentir vontade, gritar durante a contração se sentir vontade… pode até anestesia se ela estiver com dor demais e sentir que precisa… pode o bebe ir direto pro colo da mãe, pode esperar o cordão umbilical parar de pulsar para cortar, pode o bebê mamar nos primeiros minutos de vida, antes de pesar, medir, limpar… isso se quiser pesar, medir e limpar, pq nem precisa de pressa pra isso… enfim, no parto humanizado pode praticar com sobra o respeito pela mulher e pelo bebe e a medicina baseada em evidencias cientificas….

No parto humanizado NÃO PODE: proibir a mulher de comer, falar: “pra fazer vc não gritou, né”, ou então: “vai mãezinha, faz força agora, AGORA, q eu to mandando”… também não pode botar sorinho com ocitocina sintética, fazer 50 toques desnecessários, e nem cortezinho no perinio “pro bebe sair mais facil” e nem uma porção de procedimentos violentos e desnecessários q são feitos “pe faz parte do protocolo”, ou tratamento grosseiro, separar o bebe da mãe sem necessidade, empurrar uma cirurgia sem indicação real…

E sabe por que NÃO PODE? Porque isso, amigos, é DESUMANO… e humanização não pode ser desumana…

Parece óbvio, né!? Mas tem gente que realmente não consegue entender!

Em tempos: “Humanização significa humanizar, tornar humano, dar condição humana a alguma ação ou atitude, humanar. Também quer dizer ser benévolo, afável, tratável. É realizar qualquer ato considerando o ser humano como um ser único e complexo, onde está inerente o respeito e a compaixão para com o outro”. (FERREIRA, 2009).


Acho engraçado alguns discursos sobre alimentação infantil. Gente que entope o bebê (sim, estou falando de bebês, abaixo de 1 ano inclusive) de chocolates, salgadinho, frituras, balas e até refrigerante na mamadeira e acham tudo normal, porque não quer que o filho passe vontade e que criança tem que comer coisa de criança…

Meu filho come coisa de criança… claro que é de criança da idade dele: maçã, banana, abacate, kiwi, morango, abacaxi, manga, pera, até carambola ele come…. e adora… e come arroz, feijão, brócolis, batata, mandioquinha… alias, até hoje tudo o que ofereci ele mandou pra dentro sem cara feia.


Gostaria de entender quando foi que “comida de criança” virou sinônimo de porcaria nada saudável enriquecida com ácido fólico pra compensar a falta de nutrientes que uma alimentação saudável e consciente oferece. E adoraria entender como que, em pleno século 21, ainda tem gente que acha que se a criança passar vontade vai ter LOMBRIGAS.

Fico pensando se essa mãe, que oferece refrigerante na mamadeira pro nenê não passar vontade, também vai colocar cerveja na mamadeira quando o pai estiver bebendo e o bebê ficar olhando.

Sim, sou a louca da banana! Sou a péssima mãe que não deixa o filho comer chocolate! Sou a mãe ruim e chata que não deixa o filho nem provar um brigadeiro no dia do próprio aniversário! Tem hora pra tudo e é óbvio que, em algum momento da vida dele, ele vai provar de tudo, e faço questão disso, mas não agora, não tão pequeno!

E pra quem acha que tudo isso é exagero, eu indico que assistam esse documentário:

É pra pensar, né!?


Hora de voltar a movimentar o blog. Tanta coisa acontecendo e eu privando vocês de tantas informações bacanas. Então pra retomar em grande estilo, um belissimo relato de amamentação pra vocês.

Relato de amamentação – por Luana Tessera

Finalmente, chegou o momento em que decido sentar e relatar o período de 6 meses de amamentação exclusiva para mim e para a minha neném. “Finalmente” porque me recordo de, há quase meio ano atrás, imaginar esse momento como uma vitória e vizualizá-lo para ter forças para seguir adiante e não me deixar incapacitar.

-A maratona antes do prêmio-

Nunca tive o sonho de ser mãe e, talvez, isso tenha me dado as incertezas necessárias para ir atrás do conhecimento que eu precisava para chegar até aqui. Li muito durante a minha gestação toda. Minha filha Olívia, nasceu fruto de um lindo parto natural Leboyer regado de ocitosina, silêncio e respeito. Um “típico parto cheio de riponguices” como brincam alguns amigos. Mas o evento mais marcante da minha vida, foi também, uma das maiores vitórias e atos de coragem da minha vida.

Com um sistema obstétrico falho, fui por inúmeros médicos tentada a crer que não seria capaz de parir naturalmente minha bebê. Que não tinha saúde para tal, que não teria dilatação ou força de vontade e que eles precisariam me abrir de uma maneira ou de outra para arrancar minha bebê de mim. Nada disso me fez desistir! Eu sabia em meu coração, desde o segundo tracinho rosa naquele teste de farmácia, que eu tentaria até o fim apresentar o mundo para a minha filha na forma que eu julgasse a mais bela possível.

Depois de uma longa jornada de conhecimento e empoderamento e após 5 míseras horas de trabalho de parto coordenado e planejado, minha bebê veio ao mundo.

Tão logo nasceu e foi colocada em meu peito para mamar. Tudo muito rápido, sem tempo pra limpar o neném, sem erguê-lo, sem medir isso ou aquilo.

Assim que senti aquele misto de alívio e prazer (sim! o que dói são as contrações, parir é um prazer incomparável), também senti o calorzinho daquele ser no meu peito e enquanto abria os olhos e tentava voltar do êxtase da partolândia ela já mamava avidamente.

Lembro do cordão pulsando em minha barriga, do papai chorando sem parar e daqueles anjos que nos auxiliaram e seguraram minha mão nessa jornada.

Depois que Olívia resolveu respirar sozinha, rápidos procedimentos foram realizados, como cortar o cordão, limpar o rostinho do bebê e medir o Apgar. Em pouco tempo, fomos levadas para outro quarto. Nessa primeira noite, era crucial que mamãe e bebê passassem juntos e papai foi recomendado (a contragosto) pela maternidade a voltar pela manhã (eram em torno de 2 horas da madrugada).

- Do colostro, ao leite-

O quarto estava quentinho e deixei ela peladinha colada ao meu peito. Lembro de cobrir as costas dela com uma fraldinha e deixá-la por dentro do casaco que eu vestia. Passei a noite em claro, andava de um lado para o outro do quarto ninando, cantando, cheirando e beijando ela.

No dia seguinte mais uma ou duas mamadas e ela voltou a dormir. Com a presença do pai, eu pude descansar e achei que estava tudo sob controle.

Nossa segunda noite, no entanto, foi um desastre. Lá pelas 22 horas a danadinha começou a chorar e eu não sabia o que fazer para acalmá-la. Chamei a enfermeira e ela  calmamente, disse:

- Dá o peito mamãe, peito cura tudo.

- Mas ela não está com fome, mamou a pouco e eu tento dar e ela rejeita. – respondi.

- Como você sabe se ela tem fome ou não? Vai por mim, dá o peito.- retrucou a enfermeira sem dar muita consideração para a minha aflição.

Eu fiquei ali, embalando, cantando, me desesperando e aquele pedacinho de gente chorando sem parar. Eu tentava colocar ela no peito, mas ela chorava muito, com aquele bocão aberto e nem prestava atenção no meu seio.

Passadas quase uma hora assim, saí do quarto e fui atrás de ajuda. Continuavam com a mesma afirmação: “dá o peito, ela quer mamar”. Resolvi dizer que não sabia como, afinal, eu não tinha leite e ela não mostrava nenhum interesse.

Pedi para darem complemento a ela se ela tinha fome. As enfermeiras negaram (viram? Tive mais sorte que juízo), falaram que eu precisava incentivar minha neném a sugar, sugar e sugar para que meu corpo gerasse leite. Que eu confiasse e respeitasse o tempo do meu corpo, pois eu iria alimentar minha filha.

Foi uma noite péssima. De frustração e desespero. Meu seio doía muito, a neném chorava muito fora dele. Passados os primeiros reflexos de sucção pós parto, ficou claro que ela também não sabia mamar (coisa muito natural, mas que nenhum obstetra nos prepara), por essa razão, eu tinha que segurar a cabeça dela e ofertar muito o seio, pois ela mamava por poucos minutos e já começava a chorar, sem atinar a continuar mamando.

Isso pode parecer óbvio, mas imagine uma mãe de primeira viagem em pouco mais de 24 horas de parto que acabou de amamentar o neném, se dar conta  que em menos de 5 minutos teria que amamentá-la de novo? Pois tem! Uma, duas, cinco, vinte vezes se for preciso. É isso o que quer dizer Livre Demanda: alimentar o bebê no tempo dele, não no seu.

Só liberaram meio copinho de leite às 6 horas da manhã para que a neném dormisse e eu pudesse descansar com a chegada do papai.

Alguns podem dizer (e disseram) que isso é um absurdo, deixar a criança em claro, sugando um seio sem leite, uma mãe sem dormir tentando frustradamente amamentar. Que devíamos ter oferecido mamadeira com NAN, chupeta e seja o que lá mais que se dá para substituir o papel da mãe nessas horas. A verdade, é que aquelas primeiras mamadas cheias de colostro, aquele vínculo fortalecido por nunca terem tirado minha filha de meus braços e o apoio da equipe da maternidade foram cruciais para que eu tivesse chegado até aqui.

Foi preciso que me segurassem nos ombros, olhassem nos olhos e dissessem: “você tem que ter paciência, pois você vai conseguir, sua filha precisa de você!” para que eu tivesse forças físicas e psicológicas para alimentar naturalmente a minha neném.

Na terceira manhã, acordei com a blusa molhada de leite e em seguida tivemos alta.

Graças a essa maravilhosa equipe, minha filha já saiu de lá mamando muito. Não de tantas em tantas horas, não apenas quando eu achava que ela tinha fome. Mamava o tempo todo!

- De gestante a nutriz-

Já em casa, era hora de pôr o aprendizado em prática. Neném acordado, era neném no peito. Assim se seguiram as primeiras semanas, mas não com tanta facilidade.

Eu que não era boba nem nada, segui o conselho de outras mamães e comecei a participar de um grupo voluntário de apoio a amamentação. Lá, fui incentivada a ficar atenta à pega correta, a tomar muito banho de sol e a não utilizar qualquer pomada ou anestésico de composição química.

Lembro que a dor era angustiante! Não cheguei a sofrer feridas ou infecções como outras mães, mas certamente tinha a pele bem sensível e isso atrapalhava muito a “beleza” do ato. Lembro de me perguntar como podiam, as mães dizerem que é lindo amamentar, que é um elo maravilhoso e incomparável, quando na verdade eu só achava que era um ato mecânico e dolorido. Eu amamentava porque tinha que amamentar, porque acreditava que era o correto a fazer e tinha esperanças de que a dor ia passar.

Pois bem: ela passa! A dor vai diminuindo após as primeiras semanas, até deixar de existir por completo. Não desista!

- Estimulação é a chave -

Também no grupo de amamentação fui encorajada a procurar o Banco de Leite da minha cidade. Foi uma das decisões mais acertadas que já tomei.

Semanalmente eu recebia a visita de uma técnica de saúde que, com muito carinho e atenção, respondia as dúvidas que iam surgindo com relação à amamentação e trazia material esterelizado para eu retirar leite para doação.

Esqueça compressas de chá de sei lá o quê, suco de coisa qualquer. Pra ter leite tem que ter sucção. Quanto mais leite você tirar, mais estimulará as mamas e mais leite irá produzir.

Não posso dizer que essa seja uma verdade absoluta, mas posso relatar que essa orientação simples, foi completamente coerente com a realidade. Além de ter uma produção excedente, eu ainda me sentia feliz em promover uma nutrição sadia aos nenéns prematuros e ajudar mamães aflitas nesse início conturbado.

- Extrair é preciso-

Ninguém me contou, mas é importante estar atenta aos picos de crescimento de seu neném. Não tem dias em que eles estão mais “manhosos e grudentos”, tem dias em que crescem mais que os outros. Nesses dias, eles tendem a necessitar de mais alimento e por isso mamam mais. Mamam o dia todo se você permitir (Permita! Afinal de contas você está de licença pra quê?). Porém, passado esse pico, eles mamam bem menos e você fica com esse excedente de produção estimulada nos dias anteriores.

O peito fica muito cheio, duro, e o calor nessa região é insuportável. A gente esquenta tanto que tem até febre! Algumas mamães sofrem constantemente com isso. Como eu retirava fielmente meu excedente só passei por esse episódio uma vez (e foi o suficiente para não querer tamanho desconforto novamente).

-Água é essencial -

Como mencionei antes, o primeiro mês foi meio “mecânico” pra mim. A privação de sono, os afazeres da casa e o tumulto da mudança de rotina, visitas e baby blues tomavam todo o meu tempo e bom humor. Eu me preocupei muito com a alimentação, mas deixei de lado a necessidade de tomar muito líquido.

Estimular o aumento de produção (doando 500 ml por semana, em média) sem beber água me custou uma desidratação séria e várias idas ao proctologista. Por isso, se você amamenta, beba, no mínimo 2 litros de água por dia.

Passei a deixar duas garrafas de 1 litro na geladeira para ter certeza de beber, no mínimo, essa quantidade diariamente.

- Passada a turbulência, muitos colchões molhados -

Após o segundo mês de amamentação não tivemos mais grandes problemas. A livre demanda continuava, a extração com bombinha diária também e não havia mais dor.

Comecei a gostar daquela rotina e a perceber que lindo vínculo havíamos formado. Fui apreciando, cada dia mais, ver minha neném crescer e interagir comigo, gordinha e sorridente apenas com leite materno.

Passei a aprender, na prática, coisas curiosas a respeito da amamentação: É muito comum que o peito comece a pingar a qualquer momento, sem o bebê ter mamado. Ou que ele, magicamente, comece a encher e vazar minutos antes do seu bebê querer mamar.  Com o tempo, fui acostumando a acordar em uma poça de leite no colchão e a ter a blusa molhada quando menos espero.

Também é interessante notar que produzimos uma vasta gama de leites, do mais desnatado ao cremoso e que o bebê reage a eles e sabe direitinho qual gostaria de tomar. Descobri que amamentar é uma forma de carinho, serve para qualquer momento e vai muito além da alimentação. Nem sempre tenha vontade de fazê-lo, mas faz porque o ama e sente em seu coração que é o correto.

Notei que é preciso estrutura psicológica para lidar com as frustrações alheias, pois no meio de muito papo sem fundamento também haverá algumas anceãs que, independentemente do seu desfecho nessa fase, irão te apoiar e dar dicas positivas e preciosíssimas.

- Conclusões finais -

Amamentar tem feito parte da minha rotina diária há mais de meio ano. Amamento em qualquer lugar, a qualquer hora e por quanto tempo for. Não durmo uma noite inteira desde que minha filha nasceu e tenho muito orgulho disso, pois não me incomoda o fato de ser insubstituível. É um sentimento único e uma oportunidade rara (se não a única) na vida e que não dura pra sempre. Tem sido uma maratona exaustiva, mas compensadora. Tenho uma neném saudável, sorridente e  que espelha afeto. Ela está aceitando a alimentação sólida super bem e no seu ritmo, o que me deixa muito feliz.

Agora, muito próximo do seu oitavo mês de vida, me sinto a vitoriosa que tanto imaginava. Cumpri a minha meta de livre demanda exclusiva no primeiro semestre de vida da minha filha e estamos caminhando para o desmame natural. Pode ser semana que vem, daqui a 1 ano ou mais, não tenho e nem quero precisar. A natureza é mais sábia e eu e minha filha iremos chegar lá com a mesma naturalidade e companheirismo que chegamos até aqui.

Nunca tive o sonho de ser mãe, mas a maternidade tem me mostrado que eu simplesmente não sabia sonhar tão alto.

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Quer mandar o seu relato? Envie para raquel@gravidinha.com.br e terei o maior prazer do mundo em publicar =D

23
jan

Olha que coisa mais fofa do mundo!


Eu poderia dizer que 2012 foi um ano péssimo pra mim, acho que até tive motivos que pudessem me levar a isso… mas não foi não. Em 2012 eu recebi o melhor presente que eu poderia ter, meu filhotinho lindo e perfeito que vai ser meu companheirão pra vida toda… como é que posso falar que foi um ano ruim?

Decepções fazem parte da vida, isso passa… serve até de aprendizado. Eu aprendi a não confiar cegamente, ninguém é digno disso. Aprendi também que não devo esperar dos outros atitudes q eu tomaria. Descobri que tenho uma força que eu nem sabia que existia em mim, mas que bom que ela apareceu na hora que mais precisei. Tive ainda mais a certeza da família maravilhosa que tenho e descobri que tenho muito mais amigos do que eu imaginava. Também reencontrei velhos amigos e fiz alguns novos, daqueles que já não me vejo mais sem.

Ano ruim? Não pra mim… não mesmo!

E que venha 2013, o ano da virada!!! 2013 já vai começar na minha vida com muitas promessas de mudanças, e estou ansiosa por esse recomeço.